Depois de pouco mais de um mês que eu conheci esse projeto (30DLP) foi que eu resolvi realizá-lo. Aceitei o "desafio" não por querer vencê-lo, tampouco para atingir a meta de 30 cartas (que, diga-se de passagem, nunca pretendi alcançá-la). Tal "façanha" não seria tão difícil de se cumprir se eu quisesse apenas concluir um desafio que me foi apresentado. Bastaria escrever de qualquer maneira, à qualquer um.
Mas não foi isso que enxerguei na "brincadeira" do 30DLP. Encarei o projeto como um exercício, uma maneira de entender melhor não sobre os fatos do passado, destinatários distantes ou outra coisa qualquer. Mas sim uma maneira de entender melhor a mim mesma.
A cada destinatário que eu jogo na tela do computador como título de um próximo texto, eu faço uma viagem para dentro da minha própria vida, e o resultado dessas viagens diz muito mais a meu respeito do que sobre os próprios destinatários. Se eu fosse escrever as cartas com o intuito de mandá-las, ou querendo realmente dizer algo para as pessoas à quem "escrevi", certamente o conteúdo delas seriam muito diferentes (e temo que menos sinceros). Por isso que encaro muito mais como um exercício de auto conhecimento do que como uma simples carta.
Claro que, mesmo não tendo mandado uma carta sequer, algumas chegaram. A última me trouxe uma aproximação, uma outra emocionou , outra trouxe pedidos de desculpas e etc, etc,etc.
Obviamente que o desconforto é imenso ao receber uma mensagem, um e-mail ou até mesmo um telefonema avisando que a carta foi lida, com respostas ainda mais instigantes do que minhas "viagens"... Mas eu pensava: Como? Pois bem, muitas vezes me esqueço que esse espaço é um espaço "público" e que não são só meus colegas que chegam aqui por meio do google por causa do Mamagaio, que frequentam esse espaço... mas também não posso me esquecer de que esse "desconforto" também faz parte de um outro exercício similar designado à mim ( e diga-se de passagem, não preciso mais pagar por ele..hahahaha) mas isso é outra história.
Pois bem, muitas cartas eu neguei imediatamente. "Essa não vou escrever". Ora, tanto tempo de dedicação para romper barreiras, pra justo agora ir pelo mais fácil?
Muitas cartas BEM difíceis eu já escrevi. (Mas o desconforto de "publicar" eu deixo pra depois...hehehe) Outras não consegui terminar, (é duro viajar pra dentro de si mesmo), mas esta, esta de hoje, eu nunca sequer comecei, apesar de ser a que eu sempre ensaiei em escrever antes de qualquer outra. Esta também conta com a certeza de que não existe possibilidades de chegar ao destinatário, portanto o desconforto do "risco" eu não tenho. Mas não ameniza nada... Escrever essa carta é como, de maneira indireta, me olhar no espelho, passar um batom e sair pra vida... apesar do cabelo não estar como quero, a roupa um pouco desajustada e outras imperfeições que todos, diariamente, têm de lidar para seguir adiante.
Essa vontade de escrevê-la hoje veio depois de uma conversa de ontem. (sim, os últimos posts não foram agendados com quase 1 mês de diferença, nem esse....eeeehhhh!!!)
"O passado ainda dói, mas aprendemos com ele"
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C.K
Você é daquele tipo de pessoa que muda, evolui, se renova, mas mantém a alma intacta. E invejo essa sua capacidade. Apesar de compreender e de tentar sempre ser melhor, certas posturas diante da vida são muito difíceis de assumir quando não se têm plena certeza do caminho que se quer seguir. E eu, como você bem sabe, por um bom tempo não soube bem pra onde ir. Engraçado que em tão pouco tempo, nos conhecemos o suficiente para guardar lições bem marcantes.
Hoje vejo que, com algumas poucas palavras, por mais doloridas que poderiam ter sido dizê-las a você, me poupariam de uma escuridão e indecisão sem fim. Poderia até contar com sua ajuda, se eu tivesse permitido. Mas as dores que causei à mim, não foram nem de longe mais difíceis de suportar do que as que causei a você. As minhas dificuldades passaram. Já as suas, pra mim, ainda permanecem, por mais que hoje você nem se lembre delas ( e espero sinceramente que não se lembre ).
Mais do que esperar que um dia me perdoe, ou de me limitar à lhe dizer algumas coisas que você nunca soube, antes e mais do que qualquer coisa dessas, eu preciso te agradecer. Foi por sua causa e por conta da sua postura que eu pude aprender a enxergar o que, de fato, eu procurava. Foi refletindo, bem depois, sobre tudo o que aconteceu que eu entendi onde é que estava a minha inquietação. E a forma com que você lidou com isso me ensinou, ainda que de maneira muito dura, que eu não devo jamais deixar de acreditar nas pessoas e de considerá-las como parte da minha história. Você agiu com uma serenidade que eu nunca tinha visto, acho até que ninguém nunca foi tão maduro, sereno e equilibrado comigo numa situação como essa. E isso foi como um tapa na cara. Demonstrou um respeito que, pessoas que passaram quase uma vida ao meu lado, não demonstraram quando foram embora. Fatos que me endureceram e me levaram a acreditar que nada nunca mais valeria a pena, e a não me importar mais com tais detalhes. Mas suas atitudes me ensinaram que se houve respeito, ele não some de uma hora pra outra, e que eu não preciso aceitar isso de quem quer que seja. E com isso eu pude me reerguer, me valorizar, e não mais me culpar por coisas que eu não devia, com relação a fatos bem mais antigos do que esse. Pois é,o tanto que você me ensinou através dos meus próprios erros. Logo você, que dizia estar absolutamente perdida desde o início...
Eu sei dos meus erros, carrego cada um deles bem próximo de mim para jamais tornar a cometê-los. E acredite, eu aprendi bem rápido. Tão mais rápido do que você possa imaginar. E me dei, com todo o direito, uma segunda chance. E não me decepcionei. Talvez seria bom você saber disso.
Saiba que um dia, não muito distante, algumas coisas farão sentido pra você. É um dever e um direito meu e seu. Por mais que algumas pessoas quiseram ajudar, com todas as boas intensões possíveis, houve equívocos terríveis e que não sossegarão em mim ( e em outras pessoas que indiretamente também se juntam a mim pra lhe pedir perdão) enquanto cada fato não for colocado devidamente em seu lugar.
Uma situação pela qual eu, você, nem os outros nunca tinham passado, creio que ao menos nos trouxe um pouco de lucidez para os outros desafios que viriam pela frente, apesar de ter feito eu me perder completamente ao responder na prática a questão "O que fazer?". Eu me perdi, cometi erros terríveis mas aprendi com cada um deles.
Mas todos esses "desencontros" nós teremos a oportunidade de resolver, colocar cada coisa no seu lugar, quando eu for cumprir a minha promessa de ir até aí. Não me arrependo de não ter ido naquele momento, quando você tanto me pedia. No calor dos acontecimentos, a tendência era eu continuar agindo como estava... Dificilmente eu faria diferente. Não estava pronta nem madura para tal. Os erros seriam os mesmos, as palavras as mesmas. Convenhamos, não dava pra mudar.
Por vários fatores isso não vai acontecer tão logo, não só pela distância geográfica mas por poucos meses terem se passado. É preciso mais tempo. Pra todos nós.
E enquanto o tempo passa, eu busco no seu exemplo e nas memórias que você me deixou, uma maneira de me superar, cada vez mais e mais.
Acredito que cada pessoa tem um significado na vida da outra. Que ninguém se cruza por acaso. E pra mim, na minha vida e na minha história, você tem um peso enorme. Enorme. Gigante. E pra definir melhor: Um significado crucial para a continuação dela.
Que toda a dor tenha se dissipado e dado espaço àquela velha artista das palavras sensíveis que conhecemos. A dor aqui já se dissipou, se foi junto com a mágoa e os desentendimentos.
Ah, e suas músicas continuam dignas de uma banda decente. Já a encontrou? Nunca entendi tal dificuldade...
Um beijo no coração.